Educação - 2018 - 4˚Bimestre
Brasil não precisa ficar rico para dar salto de qualidade na educação, diz diretor da OCDE
O presidente eleito para assumir o governo brasileiro em 2019, seja quem for, precisará priorizar a educação se quiser resolver os problemas econômicos do País. O diagnóstico é do diretor do departamento de educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher.
Considerado uma das maiores autoridades no tema, o físico alemão de 54 anos é o idealizador do Pisa, o exame internacional aplicado pela OCDE a estudantes de 15 anos de 75 países, que se tornou o principal parâmetro para medir qualidade de ensino no mundo.
Em entrevista à BBC News Brasil, Schleicher diz que, mesmo num cenário de dificuldades fiscais e alta taxa de desemprego, o caminho para o desenvolvimento brasileiro precisará passar, inevitavelmente, pela educação.
"O Brasil não precisa esperar ter mais recursos. Aliás, se o Brasil não investir em educação, não se tornará um país rico. A Coreia do Sul era muito mais pobre que o Brasil nos anos 60 e usou todos os últimos recursos que tinha em educação. E foi isso que fez com que se tornasse um país rico", afirma.
Segundo ele, qualidade da educação num país não tem a ver com o nível de riqueza, mas sim com o investimento inteligente dos recursos de que dispõe.
"As pessoas dizem: 'O Brasil é um país pobre e precisa ficar rico antes de alcançar uma boa educação.' E isso não é verdade. Você pode ver países como o Vietnã, onde os mais pobres vão tão bem quanto os ricos no Brasil."
O diretor da OCDE critica o que chama de "investimentos desproporcionais" do governo brasileiro no ensino superior, em comparação com os gastos com ensino fundamental. Uma estratégia que, segundo ele, "cimenta desigualdades".
Mas vê como um grande feito do Brasil o fato de ter conseguido incluir a população na escola, na década de 90 e nos anos 2000, sem piorar resultados durante o processo.
Schleicher defende ainda que, em um país desigual em oportunidades como o Brasil, é importante direcionar investimentos públicos para quem mais precisa.
"É preciso alocar recursos onde eles realmente farão a diferença, ou seja, nas escolas e em pessoas em situação de desvantagem econômica e social. Se você vem de uma família rica, escolaridade pode não fazer toda a diferença na sua vida. Mas se você vem de uma família pobre, a escola pode ser sua única chance na vida. Se você perder esse barco, não haverá outra oportunidade."
Leia os principais trechos da entrevista, que faz parte de uma série de reportagens da BBC News Brasil sobre as lições que o mundo oferece à educação no país:
BBC News Brasil - Quais os pontos mais vulneráveis do sistema educacional brasileiro?
Andreas Schleicher - Eu não tenho uma postura crítica ao Brasil. O Brasil conseguiu expandir o seu sistema de ensino e, pelo menos, manter o nível dos resultados de aprendizado. Isso é raro. Muitos países que expandiram o acesso perderam qualidade. Mas claro que é um passo inicial e há muitos desafios pela frente.
O Brasil, por exemplo, investe de forma bem desproporcional em alunos universitários, ou seja, aqueles que sobreviveram ao sistema educacional ganham muitos fundos públicos. E, nos primeiros anos de escola, o investimento é bem modesto. Eu não acho que dinheiro seja tudo, mas é um ponto de partida.
Os países que vão bem focam em fatores que influenciam na qualidade dos professores, e esses profissionais cumprem um papel mais relevante no sistema educacional, para além da transferência de conhecimento aos alunos. Os professores no Brasil não têm uma verdadeira carreira e também não há uma variedade de oportunidades para os alunos. Tudo é muito centrado em universidade. Você não tem muita alternativa.
Fonte: BBC
Comentário: Se de pouco em pouco o Brasil fosse melhorando a educação nas escola públicas, com certeza muitos brasileiros já estariam em condições um pouco melhores em relação ao aprendizado do seu filho. Mas ao invés disso, os nossos governantes não ligam para o Brasil nesse sentido, e quando dão alguma importância, não adianta de quase nada. Muitas ideias de Andreas Schleicher poderiam ser colocadas em prática, ou pelo menos alguma coisa em relação ao q ele falou, pois tudo o que ele falou nas entrevistas faz sentido para o nosso país que tem uma grande capacidade de crescer apesar de muitos duvidarem disso.
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