segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cultura - 3o. Bimestre

A festa do vinho chileno

No Chile, setor vinícola se transformou de forma radical em seis anos

No país, 4 de setembro virou o Dia Nacional do Vinho Chileno


Nunca um setor vinícola havia sido capaz de mudar tão rapidamente e de forma tão radical como o chileno. Seis anos bastaram para mostrar uma realidade viva, vibrante e de uma riqueza extraordinária, com a qual apenas alguns iluminados poderiam sonhar no começo deste século, quando o vinho chileno servia principalmente para atender à demanda do precário mercado interno, estagnado e sem expectativas, e para encher as prateleiras do mercados nos Estados Unidos. Daí, quase num suspiro, houve um salto: a consagração de vales que até 20 anos atrás mal tinham vinhedos, quando tinham; a valorização de áreas antes resignadas ao papel de fornecedores de vinhos populares; a recuperação de cepas; a proliferação de novas elaborações que rompem os moldes convencionais das grandes vinícolas, explorando novos caminhos e se aprofundando nas diferenças. Do quase nada ao tudo em apenas seis anos, pouco mais do que uma videira leva para propiciar um vinho.
O vale de Casablanca expõe essa paisagem. A primeira plantação – obra de Pablo e Jorge Morandé – data de 1986. Eles testam variedades e comprovam que os melhores rendimentos são obtidos com os vinhos brancos e a pinot noir. Uma década depois, se torna o primeiro vale frio do Chile com variedades específicas – chardonnay, sauvignon blanc e pinot noir. O processo é contagioso e se estende como uma magnífica e saudável praga. Viriam Leyda, Limarí e a costa de Colchagua, aflorariam novos empreendimentos em zonas afastadas dos circuitos tradicionais.
Falo disso com Felipe García, responsável, junto com Constanza Schwaderer, pelos vinhos que levam seus sobrenomes e também pelo processo que abriu as portas da mudança, e ele me apresenta um panorama surpreendente: 10.000 viticultores e uma produção de 12,86 milhões de hectolitros em 2015, para apenas 300 vinícolas. “Até 2006”, conta, “não havia pequenos produtores, só Mari Luz Marín e Álvaro Espinoza”. Três anos depois eram 12. São enólogos que plantam suas próprias vinhas, começam a testar diversas cepas, fazem suas próprias elaborações e acabam se agrupando no MOVI (Movimento de Vinicultores Independentes), transformando essa sigla num emblema dinamizador. “Queríamos mostrar ao mundo a diversidade do Chile, tanto em zonas e variedades como no plano criativo, fazendo vinhos sem seguir procedimentos padronizados nem precisar vender dezenas de milhares de caixas”. Seis anos depois, tem 33 membros e influencia todo o setor. Felipe García resume assim: “Agora, as grandes vinícolas querem ser pequenas”. De fato, os grandes entenderam as vantagens do novo panorama e se lançaram à mudança. O MOVI afinal dinamitou as estruturas do mercado.
Fonte: EL PAÍS
Comentário: As vinícolas do Chile são pontos turisticos muito bons de passear, porque apesar você poder provar cada tipo de vinho feito na vinícola, você descobrirá várias coisas sobre os vinhos, como ele é feito, quais ingredientes são usados, quais máquinas são utilizadas.

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